quarta-feira, 30 de setembro de 2020

O "coxinheiro"

 Oi gente!

Tudo bem por aí?

Por aqui muito calor e picolé! 

Todo mundo de máscara e brincando de máscara. ( No lugar certo:  a máscara cobre o nariz e a boca! Coisa mais feia usar máscara no queixo. Então, prá quê? Aí podemos discutir o uso da toca, da luva, do óculos, da camisinha... Enfim, a maioria entendeu... Mas sempre tem aqueles lá. Deixa pra quieto!)

Mudando de pato pra ganso, acho que o maior desafio das mães, ou pelo menos, de grande parte delas, é a alimentação dos filhos.

Num universo regado a Daninho que vale um bifinho, Sustagem que vale por uma refeição, bolacha passatempo e quem come um, ahaaa pedi Bis, é difícil manter a disciplina.

Sofro e muito com o Felipinho.

Felipe não come arroz, não come feijão, não come carne vermelha.

Felipe come os legumes e verduras da época que ele determina. 

Nesse momento vivemos a colheita da cenoura, da mandioca, da mandioquinha, da abóbora (que eu camuflei), brócolis e couve.

Salada de tomate e vinagrete, ok!

Salsinha, cebolinha e alho poró, manda que arrasa!

Frango, de qualquer maneira.

Macarrão com molho da "Bisa", sucesso.

Mas haja criatividade e paciência.

Tem dia que quero gritar (e grito) e atirar o prato na parede e fazer a birra que ele faz pra comer, mas por que ele não come.

E Dale respirar, respirar e respirar. (Inala, exala...kkkkkkkkkk entendedores, entenderão)

E  pior, a pior de todas as coisas: a mãe dele é cozinheira! 

Faz um monte de marmitas, pratos diferentes, deliciosos e pans, e o Felipe: nada!

E ainda tem a cara de pau de dizer que eu sou a melhor cozinheira do mundo.

Já cheguei a pagar pra ele comer. Só que ele chegou na quantia de R$10 e achou que estava rico e não precisava mais comer.

Assim, de chantagem em chantagem vou ficando louca e pensando na próxima estratégia.

Tá ótimo!

Em compensação o restante do time, come até pedra.

É só mandar, que tá valendo.

E assim seguimos a nossa rotina descontrolada das refeições.

Dia destes, peguei uma encomenda de salgados (coxinha e bolinha de queijo) e ele já ficou todo felizão, tipo, "hoje rola frango e fritura, uhuuu" e eu só pensando em moldar os salgados.

Quando terminei a encomenda, ele veio e me disse, eu já sei cozinhar e sei fazer coxinha. 

Comecei a rir e falei, "tá bom, então!"

Cara! Morri!

Ele fez as coxinhas perfeitamente!

O ser, que não come nada que não lhe convém, no auge dos seus 6 anos, faz coxinha!

Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Falei: "Filho, se você desistir dos estudos, já tem uma profissão: coxinheiro!"

Todo mundo riu e ele já tem certeza do que fará da vida para ganhar dinheiro: coxinha!

PS: essa semana ele decidiu abrir uma pizzaria.

PS2: ele comeu arroz, bife e salada.

PS3: comeu apenas para contrariar o conteúdo descrito, assim dizendo nas entrelinhas que eu sou mãe e louca. (Só que não)

PS4: Vamos fazer coxinha e bolinhas de queijo essa semana! 🥰

Bjs,

Dani

sábado, 26 de setembro de 2020

Legado

 Oi gente querida!

Tudo bem por aí?

Calor? Frio? Primavera dando as caras e nem inverno tivemos direito.

Mudanças climáticas trazidas pelo pouco caso e desorganização humana.

É galera! Vivemos o caos da modernidade!

Ciências e tecnologia a todo vapor e a humanidade desumana.

É como se andássemos em espaços tempos diferentes. 

Por que se falamos em evolução, poderíamos pensar em uma melhora constante.

Tecnicamente o mundo se baseia em guerras e disputa de poder, porém a civilização tem consciência de que precisa da natureza para sua conservação.

Precisamos das florestas e "permitimos" o desmatamento para criação de pastagem. 

Observamos calados o degelo dos polos pelo aquecimento global, por que na verdade, não conseguimos frear o nosso consumismo. 

Geramos lixo e não sabemos o que fazer com ele.

E corremos atrás de curas a toque de caixa.

Não é muita doideira?

E nos desumanizamos, no sentido bem negativo da palavra.

Isso é tão verdadeiro, que as pessoas tem dificuldade de entender que fazer o bem e ser do bem, parece coisa de gente boba.

No ato de dar bom dia, de ser gentil e atencioso, de oferecer ajuda para carregar um pacote, no dar licença para uma pessoa passar, em ceder lugar na fila, coisas corriqueiras.

Entendem o que quero dizer?

E quando nos deparamos com a desumanização, nas prestações de serviços?

Viramos números, coisas, estatísticas, quantificação.

E foi assim que nos sentimos essa semana.

Coisas.

Por que?

Porque o olhar da humanidade não se incomoda mais com o humano.

O título da minha postagem foi "Legado", porque hoje, vou deixar a Victoria desabafar sobre  sua experiência quanto ser uma pessoa e se sentir um objeto.

Legado, por que acredito que temos feito um bom trabalho, como pais de ensinar aos nossos filhos que pessoas e sentimentos valem, e muito.

Essa foi a visão dela em uma Unidade Básica de Saúde, na saga de uma receita médica para poder manter seu tratamento psiquiátrico.

Aliás, quero deixar bem claro que estamos e vamos viver durante muito tempo, os frutos da Pandemia.

Crianças e jovens com crise de pânico e ansiedade, (além dos adultos), vão precisar de cuidados psicológicos.

E gente, não é brincadeira!

A maioria da população brasileira não tem recursos sequer pra comer, imagina cuidar da saúde mental... Temos 10 milhões de brasileiros passando fome.

Desemprego?

Enfim...

Temos que lutar por nossos direitos, como pessoas, cidadãos e não números.

Se seu voto dá representatividade, se represente!

O município, o estado, a federação, não vão te ouvir, se você aceitar a "máquina" passar por cima de você e da coletividade.

Se faça ouvir!

Lute por seus ideais!

Lute pelo mundo!

Lute por sua família!

Lute por seus filhos!

Não tenha medo de dar voz e ser voz no meio do caos.

Tenho certeza que meus filhos não serão conformados. Tenho certeza que eles serão voz. Tenho certeza que eles irão lutar por um mundo melhor.

Tenho certeza que eles saberão ESCUTAR! (Até no silêncio)

" Dia 24 de setembro fui até uma das UBS de Osasco para passar no psiquiatra, e sentada na cadeira da sala de espera me vi em chamas. A revolta era gigante, o desconforto indescritível e grande parte do tempo eu só queria gritar. 

Queria colocar ordem, dizer que aquilo era um hospital, que pessoas estavam doentes e procurando ajuda. 

Queria pedir para os enfermeiros pararem de falar alto sobre suas vidas pessoais e para os pacientes se sentarem e esperarem seu nome ser chamado. 

Estamos todos na mesma, todos sendo submetidos a saúde dos abandonados, dos menos importantes, dos que não possuem dinheiro... Privilegiado é aquele que é bem atendido em um hospital, privilegiado é aquele que consegue ter uma boa aula, privilegiado é aquele que tem teto, saneamento, comida, roupa! Mesmo tudo isso sendo o mínimo para se ter... 

E eu via pessoas furiosas, cansadas, desrespeitosas, desesperadas, preocupadas e ansiosas. Os balances das pernas eram constantes.

Vi como a saúde mental é importante e desdenhada. 

Vi pelo menos 50 pessoas procurando ajuda em uma hora que estive lá e vi o quanto são menosprezadas, e mais ainda... Como menosprezam quem está ao seu lado.

A aglomeração aumentava a cada minuto e o espaço ia se restringindo a portas de consultórios fechados sem médicos dentro.

Vi os olhos de um menino que se encontrava aflito, com medo. E senti vontade de abraça-lo e dizer que tudo ficaria bem. 

Me vi desistindo e indo para casa, sem ter sido atendida e mais desesperançosa do que quando passei pela porta de entrada.

Vi mais uma vez a desordem e o regresso. Victoria Anuch"

Para reflexão.

Obs: o nosso desfecho teve voz. 

Bjs e um ótimo fim de semana.

Dani




domingo, 6 de setembro de 2020

Gordofobia

 Oi gente!

Boa noite!

Espero que vocês estejam bem!

Por aqui, como na maioria dos lares do mundo, um dia após o outro.

A única expectativa é a da vacina, para podermos começarmos a retomar uma "rotina", se é que posso usar esta expressão.

Mas hoje, não quero falar da pandemia.

Quero falar de Gordofobia.

Assim, como vemos o racismo, a intolerância religiosa, a xenofobia, a homofobia, e tantos outros tipos de intolerância, temos a Gordofobia.

Culturalmente, sempre ouvimos falar sobre aquele gordinho, aquela gorda, aquele com peso a mais.

Mas, gordo é engraçado, divertido.

Não corre, não tem fôlego, dizem que não tem saúde, mas são aqueles que nunca deixam faltar comida em suas festas, sempre querem ir a restaurantes e nunca vão te fazer sentir complexo de inferioridade, por que são gordos.

E claro, são gordos por que são preguiçosos!

Não querem fazer dieta, não querem fazer regime, não querem malhar, não querem parar de comer doce.

E morrem.

De tristeza, de preconceito, ou na mesa para realizar uma cirurgia bariátrica.

Por que aqueles que não suportam se encaixar no mundo magro e perfeito, acabam seubmetendo a loucuras para serem aceitos.

Eu, Daniela, comecei a engordar com 10 anos.

E de lá pra cá foi uma luta.

Com 12 anos, fui ao meu primeiro endocrinologista. Nada de açúcar. Açúcar é veneno. E aí, minha casa não era só a minha casa. Tinha irmãos. Tinha chocolate.

Eu comia chocolate escondida no banheiro para que ninguém visse que eu estava "furando" a dieta.

Com 14, e usando manequim 44, veio a moda das calças boca de sino. E tinha uma marca desejada, a da Yes Brasil. 

Cheguei na loja do shopping West Plaza, e a vendedora foi tão cruel, mas tão cruel, me dizendo que o número da calça era até 42, que não tinha o meu número... Com um nojo. Por que eu era gorda!

E aí corre fazer regime, corre pra se encaixar, corre pra tomar remédio tarja preta e vem a bulemia.

Todo dia era meu último chocolate e eu vomitava. Meu último sorvete e eu vomitava. Meu último pedaço de bolo. A última coxinha. O último, a última.

Tive buracos com falha de cabelo, por conta das medicações para emagrecer.

Mas eu precisava ser aceita para ser feliz.

As coisas que mais ouvi na vida: você tem um rosto lindo! Sua bunda é enorme! Você precisa emagrecer!

Se cair em cima de você virá papelão, se for em cima de mim celofane... E por aí vai...

A vida inteira.

Quando estava grávida do Pedro, fui ao Walmart. Estava de 8 meses. E fui ao caixa prioritário. 

A caixa do mercado me disse que o caixa era exclusivo e eu perguntei o que eu era. Sabe o que ela me respondeu: gorda!

Eu fiz o maior barraco no mercado. Arranquei a roupa e chorei.

Só que na vida, não dá pra fazer barraco a cada episódio de Gordofobia que você passa.

E foram vários, inúmeros, incontáveis.

Um dos meus dias "memoráveis" foi um passeio ao Parque da Xuxa, em 2004.

Fui em um carrossel de peixinhos com a Victoria e eu literalmente, fiquei entalada no brinquedo.

Eu não sabia se chorava, se ria, só sei que comecei a transpirar e queria sumir dali.

Foi nesse dia, que percebi, que não seria uma mãe "normal", uma mãe magra. Eu não podia acompanhar meus filhos em todos os momentos que eu queria. E não por que eu não queria. É por que eu não cabia no tamanho que a sociedade queria que eu me encaixasse, para poder ser mãe.

E parei de acompanhar meus filhos em muitos momentos. Por que não queria mais me frustar, ou frustá-los de não poder "estar" ou "participar" de atividades ou programas com eles.

Essa então, foi a gota. Há muito tempo atrás fui a um Centro Espírita. E papo vai e papo vem com o "espírito" do doutor tal, eu disse que precisa emagrecer, por que estava me sentindo cansada, e tals... Aí ele me disse, que não adiantava fazer regime, por que meu espírito era gordo!

Piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! 😤😤😤

Como se você fosse apenas um pedaço de carne, ou um espírito bem pesado e fora do padrão de fantasma elevado, e não uma pessoa. Ou pior: como se você não tivesse força de lutar contra seu peso, por que você é fraca.

Quando estava grávida do Felipe, fui fazer um ultrassom com dopller para ver as artérias, coração, quantidade de líquido aminiótico do meu bebê. A doutora falou que como eu estava muito gorda, não conseguiria realizar o exame com eficácia. (Eram muitas camadas de gordura)

Qual o seu peso? Te pergunta o plano de saúde, para você ser aceito. Se o seu IMC, for maior que o esperado, você está fora! Gordo fica doente mais fácil. Gordo não pode ter plano de saúde!

Eu cansei.

Cansei desse fardo por quase 45 anos, por que eu não sou apenas um número de manequim, um tamanho um XXX. Eu sou uma pessoa.

Dia 10 de setembro, é o Dia do Gordo, que foi transformado em Dia da luta contra a Gordofobia.

Então, levanto a minha bandeira.

Porque gordos, não são apenas pessoas atrás de grandes pratos de comida, caixas de chocolates, sentados muito desconfortávelmente  em sofás. 

Gordos também tem alma e coração.

Gordos também amam.

Por hoje, é só.

Beijos,

Dani




quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Universo Paralelo

Oi gente!

Muito tempo, né?

Caraca!

Que saudade!

Saudade de dedilhar o teclado, deixar a mente fluir, expor as ideias, compartilhar experiências e resgatar o meu "diário" de mãe de cinco.


Putz! E quanta água rolou por debaixo dessa ponte... Teve mudança de cidade, mudança de casa, outra mudança de cidade, mudança de rumo profissional, amadurecimento na porrada, crise financeira (pergunto quando vai ter fim), filhos crescendo, filho indo pra faculdade, filho que iria começar a escola, filho terminando o ensino médio, e filhos finalizando o fundamental I e II... E no meio disso tudo... A pandemia. E fica tudo... suspenso.

Mãe surtando. Mãe chorando sozinha. Mãe chorando com os filhos.

Filhos com depressão, crise de ansiedade, e fobia social.

Filhos descobrindo o amor e descobrindo que também existe coração partido. E mãe descobrindo que coração partido de filho, parte o dela também.

Filha ficando mocinha. E aprendendo que devemos ficar bonitas para nós mesmas, sem a pretensão de agradar ninguém. 

Mãe de cinco, descobrindo que está virando mãe dos pais. O pai super teimoso!
Vai operar a coluna amanhã.
Andando de cadeira de rodas, andador e ainda quer dar o grito de independência: tipo seu Frederiksen, só falta os balões.

Fiquei tão brava com ele, que falei: "Se a mãe tiver um infarte, eu ponho você no asilo, aí você aproveita para cantar as músicas do Nelson Gonçalves e arruma umas coroas pra namorar, "manquetolando" no andador. Ele achou super engraçado e falou que era isso mesmo.

Ou seja, palavras ao vento.

Aos 78 anos, quem muda?

De andador ou não, não comendo brócolis, abobrinha, frango, feijão, salsicha, e sei lá mais o que, e, se esbaldando de chocolate, se voltar a ficar funcional, e puder dar os seus "rolês", vai ficar feliz da vida.

O que eu sei, é que não está fácil para ninguém.

Não falo só de grana!

Cara! Como faz falta dar um abraço apertado e beijar as pessoas! Como faz falta encontrar nossos amigos e família! Como faz falta sair pra tomar uma cervejinha a toa, sem ficar desesperado olhando pro lado, pensando em riscos de contaminação.

Fora toda essa questão de trabalho, das relações humanas e afetivas, da saúde mental, ainda temos que ficar pensando no lugar certo de usar a máscara... Tem gente que ainda não entendeu o desenho.

E as excursões familiares ao supermercado?

Me dá taquicardia.

Enfim, esse novo "novo", deveria ser um recomeço de padrão de respeito e amor ao próximo.

Mas não adianta!

Parece um ciclo sem fim.

E por tudo isso e mais um pouco, pirei.

Pirei por que ainda acredito no amor, na solidariedade e na empatia. (Que não é ser simpático).

Pirei pelo desespero. Por que me comove o outro. 

Ser humano, sofrer, querer proteger, é da nossa essência. Algumas pessoas sentem isso mais profundamente. E precisam de ajuda.

Por que escrevi tudo isso?

Por que eu não estou sozinha nessa onda de emoções e nem você!

Vai passar.

Vai dar tudo certo.

Andar com fé, eu vou, que a fé não costuma faiar... Parafraseando o Gil.

Que Deus nos ajude e que Ele permita a descoberta da cura.

Mas principalmente, que Ele cure a alma da falta de amor e caridade dos corações doentes.

Pois pra esse tipo de desamor, não há vacina.

Um beijo grande pra vocês.

Dani